Brasil perde espaço nas captações internacionais e investidores voltam os olhos para outros países da América Latina
Empresas brasileiras encontram cenário mais difícil para captar recursos no exterior, enquanto Peru, Chile, México e Colômbia ganham espaço entre os emissores de títulos de dívida.
O Brasil começou a perder espaço na tradicional temporada de captações internacionais que movimenta os mercados financeiros após as férias de verão no Hemisfério Norte.
Com a retomada dos negócios depois do feriado de Labor Day, nos Estados Unidos, empresas de países como Peru, Chile, México e Colômbia passaram a aparecer com mais força no mercado internacional de títulos de dívida, os chamados bonds. Já os emissores brasileiros vêm adotando uma postura mais cautelosa.
Por que o Brasil está captando menos?
Segundo dados de mercado compilados pelo jornal Valor Econômico e avaliações de analistas financeiros, alguns fatores ajudam a explicar o movimento.
Cautela com crédito e governança
Casos recentes de estresse financeiro envolvendo grandes empresas brasileiras aumentaram a preocupação de investidores internacionais. O cenário contribuiu para elevar a percepção de risco e tornou os investidores mais seletivos na hora de comprar títulos de empresas brasileiras.
Mercado brasileiro oferece alternativas
Outro fator é a própria atratividade do mercado doméstico. Os bancos brasileiros têm utilizado de forma significativa as Letras Financeiras, permitindo que parte das instituições consiga levantar recursos dentro do país sem depender tanto do mercado internacional.
Juros americanos continuam pesando
A volatilidade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, também influencia diretamente o custo de captação dos países emergentes.
Quando os juros americanos permanecem elevados ou os títulos apresentam maior oscilação, investidores tendem a exigir retornos maiores para aplicar recursos em países considerados de maior risco. Isso encarece as emissões internacionais para empresas brasileiras.
Mercado Livre abre a temporada
Apesar do cenário mais cauteloso, a temporada de emissões na América Latina já teve uma operação de destaque.
O Mercado Livre levantou US$ 1 bilhão no mercado internacional, aproveitando a força de sua operação na região e a confiança dos investidores em seu modelo de negócios.
Enquanto isso, os bancos internacionais vêm acompanhando principalmente os movimentos dos governos latino-americanos e as chamadas emissões soberanas.
E o Brasil?
A expectativa é de que o Tesouro Nacional brasileiro também volte ao mercado internacional nos próximos meses para captar recursos.
Analistas, porém, avaliam que essas operações podem acontecer em volumes mais moderados, sem necessariamente repetir o protagonismo observado pelo Brasil em outras temporadas de captação.
O cenário mostra uma disputa cada vez maior entre os países latino-americanos por recursos internacionais. Para as empresas brasileiras, o desafio agora é encontrar condições competitivas de financiamento em um ambiente de juros elevados, maior seletividade dos investidores e alternativas cada vez mais atrativas dentro do próprio mercado nacional.
Rádio Haja Luz — informação para você entender o que acontece no Brasil e no mundo.




Comentários